
No coração do Ribatejo, é tradição e costume a Festa Brava...
Não se imagina o Ribatejo sem toiros e sem toureiros e sem touradas portanto. Festa da terra e do mundo rural, faz parte da alma que temos, da nossa relação ancestral com o campo e com o gado, do nosso jeito de fazer da vida uma festa e do risco um modo de a engrandecer.Por essa lezíria além e pelas herdades da charneca há toiros e há cavalos que partilham connosco o espaço em que nos movemos, a terra a que nos afeiçoamos, a vida que nos interliga. Gerações e gerações, vários Séculos já contados, fomos formando este ser, no trabalho com o gado, no risco das tralhoadas, na alegria das ferras, na exigência das tentas, na emoção das largadas, no colorido das entradas, no entusiasmo das corridas, quando, o sol aquece as tardes e desafiamos o destino no redondo de uma rena. É um estar que não se explica, sente-se e isso nos basta, nem tudo pode ser dito, a alma não se representa e vive dentro de nós.De muita fé se faz a Festa. De muitos rituais, gestos, objectos, que são assim porque sim, a fé, como a alma, vive-se, Não tem de ser explicada. Mas no lio de um toureiro, a par do traje de luces, nunca há-de deixar de ir as imagens da sua devoção, a Virgem Macarena, o Sagrado Coração, Nossa Senhora de Fátima, o Senhor da Misericórdia, são elas que dão conforto e inspiram segurança porque o risco existe e um homem tem um coração a bater e emoções, incertezas, momentos em que um simples milímetro, ou nem tanto, separa a morte da vida.